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Suicídio: tema de hoje. Temos que enfrentá-lo!

  

Notícias recentes acerca de casos de suicídio tem sido frequentes e para alguns a primeira explicação que vem à mente é a de que a crise econômica seria a responsável pela crescente ocorrência.
Não é de agora que o problema vem intrigando os estudiosos à ponto de estarmos dedicando o mês de setembro, especial o dia 10 de setembro foi consagrado como Dia da Prevenção do Suicídio. 

Embora seja tema difícil de ser abordado e raramente vir à tona nos meios de comunicação de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), mortes por suicídio são uma das principais causas de mortalidade anualmente (16 de cada 100.000 pessoas), sendo responsável por cerca de 815 mil mortes, em 2000, em todo o mundo. O que poderia significar um suicídio a cada 40 segundos no mundo[1]. 

Os números são alarmantes, mas como é tema de difícil discussão, pouco se divulga a respeito, a não ser em casos extremados, a exemplo do que lemos mais recentemente. 
A OMS define-o como “violência autodirigida” e é 14ª causa de morte no mundo inteiro. E a terceira entre pessoas de 15 a 44 anos, de ambos os sexos[1]. 

Deve-se ter em mente que embora em algumas condições o suicídio esteja relacionado à quadros psicopatológicos, este não é determinante para que alguém venha a se suicidar. Assim, nem todo suicídio se justifica como decorrente de situação de doença mental. 

O suicídio está relacionado à expressão de um sofrimento individual insuportável que culmina na “violência autodirigida” com objetivo de aliviar um sofrimento insuportável, terrível mal estar. E, na atualidade, caracteriza-se problema de saúde pública mundial.  
Podemos pensar que casos sutis de tentativa de suicídio não estão considerados nas estatísticas da OMS uma vez que são mascarados pelas condições em que ocorreram, mas poderiam ser tidos como suicídio casos de crianças com mortes acidentais, ou acidentes de automóvel, causados por jovens que dirigem alcoolizados, ou sob efeito de drogas, ou em alta velocidade que para alguns estudiosos são atos suicidas, segundo Ingrid Esslinger, psicóloga do Laboratório de Estudos sobre a Morte da Universidade de São Paulo (USP). Diz ela: “Se você investigar a vida dessas crianças e jovens semanas ou meses antes da morte, pode identificar sinais de que algo não ia bem” [2].

O que se observa através dos estudos é que não se pode dizer que haja uma progressão entre  com que uma progressão entre a “ideação suicida", "tentativas de suicídio", ou “consumação do suicídio”. A prevalência mundial para atitude passiva de suicídio (sem planejamento) é de 9,2% enquanto que a atitude ativa (com planejamento) é de 3,1% para tentativas de suicídio e para consumação do ato suicida é de 2,7%. Em muitos casos, há uma progressão de pensamentos passivos e idéias suicidas para pensamentos mais ativos, que pode ser seguido pelo planejamento e,em alguns casos, morte [3]. 

A ideação suicida não induz necessariamente ao ato suicida. Em muitas situações, a ideação suicida desvela um sofrimento insuportável e a ideia de morte ocorreria como um elemento possível na tentativa de acabar com o sofrimento. No entanto, deve ficar claro que entre a ideia de morte e o ato suicida há nuances que muitas vezes, são pouco compreendidas, seja pelo indivíduo que tem estes pensamentos ou para os que estão ao seu redor e mesmo para profissionais de saúde mental. 

Algumas circunstâncias de vida levam à situação de crise emocional e comumente uma situação pode levar a diferentes desfechos dependendo de como cada indivíduo consegue enfrentá-la, suportá-la. Assim, a condição de crise emocional não se define pelo conteúdo objetivo da ocorrência, mas como cada indivíduo poderá psiquicamente dispor se seu arsenal psíquico, afetivo, motivacional e cognitivo para manejar o seu enfrentamento. Para alguns uma situação de crise pode adotar conotação de oportunidade para mudanças internas que o levarão a oportunidade de melhor enfrentamento. Enquanto que para outros, acaba por adotar conotação de violência à integridade física, psíquica ou mesmo ambas, atingindo-os com tal estado o equilíbrio tornando-se extremamente traumáticas [4],  insuportável e, passam a agir de maneira impulsiva que o ato e consumação suicida acaba por ser o único desfecho determinante. 

A palavra “crise” provém do grego krisis, significando “decisão” e deriva do verbo krino, que quer dizer “eu decido, separo, julgo”. “Crise”, e é definida como um estado de desequilíbrio emocional do qual uma pessoa que se vê incapaz de sair com os recursos de afrontamento que habitualmente costuma empregar em situações que a afetam emocionalmente [5]. 

Assim, algumas situações são marcadas mais pela precipitação, por atitudes impulsivas pouco ajuizadas e sem muito haver ponderação diante do confronto com o que foi tomado como insuportável, ocorre a atitude desesperada e a morte. Há situações em que o desespero que assola o sofredor conta com o auxílio de alguém que observa a condição “anunciada” e por terem sido acolhidos os pedidos de ajuda com apoio conseguem reverter a condição. Porém, mesmo com este suporte externo alguns indivíduos não conseguem reverter a situação. 

É importante salientar que há alguns mitos acerca do suicídio que necessitam ser mais bem divulgados, como os que seguem abaixo [6]:
1. Falar sobre suicídio poderá dar idéia para que alguém se torne um suicida;
2. Diagnóstico de Depressão faz com que todo deprimido seja um suicida;
3. Realmente não podemos prevenir suicídios;
4. Suicídios acontecem sempre em um momento impulsivo;
5. Crianças pequenas, entre 5 a 12, não pode ser suicidas.


Dor Crônica e Suicídio

A dor crônica parece ser um importante fator de risco para o suicídio, conforme trabalho de Melaine Racine. Segundo a autora, recente revisão de literatura demonstrou que em comparação à população geral, indivíduos com dor crônica apresentam entre 2 a 3 vezes mais provável de exposição à ideção suicida, tentativas de suicídio e consumação do ato suicida [7]. 

Oitenta e oito pacientes foram estudados na província de Quebec, Canadá. Os pacientes que aceitaram para participar do estudo foram convidados a completar uma bateria auto-administrada de questionários. Os resultados mostraram que um quarto dos pacientes relatou pensamentos passivos de suicídio (20%) e 5% já planejaram seu suicídio. Quando questionados sobre suicídio no último ano, os resultados foram que 28% tinham considerado o suicídio, 11% tinham um plano concreto e 2% tinha feito anteriormente uma tentativa. 

Têm sido veiculados na mídia sinais de alerta indicativos de comportamento suicida e por serem úteis como informação publica, pensamos que devam continuar a serem veiculados. No entanto, não devem ser confundidos como determinantes e sempre deve-se considerar o encaminhamento a um profissional de saúde mental para elucidação diagnóstica e orientação adequada.

Dra. Dirce M. Navas Perissinotti
Diretora Administrativa da SBED


Referências Bibliográficas 

1. WorldHealthOrganization. Mental health : Sucide prevention (SUPRE). Book Mental health: Sucide prevention (SUPRE), Vol. 2012. City: World Health Organization, 2011.
2. Esslinger I, Kovacs MJ. Adolescência: Vida ou Morte. São Paulo: Ática, 1998.
3. Nock MK, Borges G, Bromet EJ, Alonso J, Angermeyer M, Beautrais A, Bruffaerts R, Chiu WT, de Girolamo G, Gluzman S, de Graaf R, Gureje O, Haro JM, Huang Y, Karam E, Kessler RC, Lepine JP, Levinson D, Medina-Mora ME, Ono Y, Posada-Villa J, & Williams D (2008). Cross-national prevalence and risk factors for suicidal ideation, plans and attempts. Brit Jour Psych, 192(2), 98-105. 
4. Sá SD, Werlang BSG, Paranhos ME. Intervenção em Crise. Rev Bras Ter Cog, 2008, Volume 4, Número 1 DOI: 10.5935/1808-5687.20080008
5. Parada, E. (2004). Psicologia Comportamental Aplicada al Socorrismo Profesional. Primeros Auxilios Psicologicos. Escuela Segoviana de Socorrismo: http://members.fortunecity.es/esss1/Jornadas 
6. Cardoza K. 6 Myths About Suicide That Every Educator And Parent Should Know. http://www.npr.org/sections/ed/2016/09/02/478835539/6-myths-about-suicide-that-every-educator-and-parent-should-know
7. Racine M. Predictors of Suicidal Ideation in Chronic Pain Patients. http://www.bodyinmind.org/predicting-suicide-ideation-in-chronic-pain/

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